Segunda-feira, Março 09, 2009

Humildade e Raça deu Triunfo Sofrido!

A complicada deslocação do Futsal Benfica à bela cidade do Fundão esteve dentro daquilo que se esperava. Sem poder contar com o contributo do lesionado Ricardinho, André Lima juntou Zé Maria a Bebé, a Rogério Vilela e a Pedro Costa. Arnaldo Pereira regressou do castigo cumprido frente ao Instituto e completou o 5 inicial, servindo a equipa como único elemento de características ofensivas. Naturais opções de maior contenção, portanto, perante um adversário de boa valia, mas que, sem surpresa, acabaram por condicionar bastante a velocidade das transições do Benfica. É impossível, ainda, passar ao lado da estranha decisão da FPF em permitir ao Fundão a utilização dos brasileiros Esteves e Renatinho, abrindo um precedente gravíssimo e, porventura, irregular aos estatutos vigentes, no que diz respeito aos certificados internacionais. O que é certo é que estes dois elementos foram, na esmagadora maioria do tempo de jogo, os melhores da equipa da casa. Veio mesmo a calhar.

Arbitragem sem Categoria

Num espectacular jogo, o que foi verdadeiramente pobre foi a arbitragem. Uma dupla sem a mínima categoria para o primeiro escalão do Futsal Nacional. E o problema é que estes, principalmente, se me é permitido o reparo, o seu elemento Pedro Peixoto, continuam a prová-lo sistematicamente. Curiosa a forma como a dupla abordou os descontos de tempo das equipas, virando as costas ao público, para o lado sem bancada, talvez numa medida de protecção pessoal aos muitos insultos e provocações de que foram alvo ao longo dos 40 minutos. Ser árbitro é profissão ingrata, isso reconheço. O primeiro lance de registo da partida é um rapidíssimo contra-ataque caseiro, finalizado com remate cruzado na direita, que Bebé parou superiormente mesmo junto ao poste esquerdo. Lance que vem na sequência de uma clara mão na bola não assinalada, junto à linha lateral da ala esquerda do ataque do Benfica. Estava dado o mote para um sem número de erros disparatados, de amarelos hilariantes - alguns até revoltantes -, e de lances escandalosos branqueados, contrapostos com pequenas "coisinhas" que não deixaram de se apitar. Uma vergonha.

Muita Madeira

Num início morno e algo quezilento, o Benfica inaugurou o marcador numa das melhores jogadas da primeira parte: Arnaldo, na ala direita, faz um passe largo que encontra Pedro Costa mesmo junto à baliza do habitualmente suplente João Pedro; O #4 do Benfica não é egoísta e dá um pequeno toque para o lado, deixando Rogério com todo o espaço para encostar e fazer o 0-1. E é o próprio Rogério Vilela que se destaca nestes primeiros minutos, dando o “corpo” a vários ataques do Fundão, mostrando um tempo de corte que se tem aprimorado ao longo da temporada. Quase voltamos a reconhecer aquele Rogério que em 2004/05 foi considerado o mvp do 2º título encarnado. Não há que escamotear, no entanto, que o Benfica acabou por ser feliz nestes primeiros 20 minutos. O Fundão controlou o jogo, teve mais bola, foi mais perigoso e, apesar de Pedro Costa poder ter feito o 0-2 que só o poste evitou, a justiça apareceu de bola parada. Grande estoiro de Bruno Pereira para o empate, num remate ao meio da baliza. Lance onde Bebé poderia, assim à primeira vista, ter feito mais qualquer coisa.

O perigo do Fundão esteve precisamente aí, nas bolas paradas. Houve uns 2 ou 3 lances estudados à entrada da área, onde a defesa do Benfica deu a sensação de estar a "ver" jogar. Ainda antes da igualdade referida atrás, há bola no ferro da baliza de Bebé e, impossível esquecer pela gravidade em causa, Arnaldo é abalroado pelo guarda-redes do Fundão dentro da área, quando o capitão da Selecção Nacional se preparava para ampliar a vantagem. Não só o #6 teve de sair devido ao choque violento, e faltou o vermelho directo respectivo a sancionar a falta, como ficou condicionado para o resto do jogo, e até se encontra em dúvida para os próximos compromissos de Portugal. O Benfica saiu dominado ao intervalo, mas entrou avassalador na segunda parte. 10 minutos iniciais de enorme qualidade, sempre nas imediações da área adversária e com vários lances de golo, ainda que a finalização não tenha tido um dia particularmente feliz. Curiosamente, o lance mais perigoso até aí é... do Fundão, num contra-ataque finalizado numa bomba ao poste, e que grande golo seria, com Bebé sem qualquer hipótese. Foi o primeiro ataque do Fundão, já corriam vários minutos.

Sofrer até Final

Os ânimos acicataram-se bastante no Pavilhão Municipal do Fundão, fora e dentro da quadra, e aí viu-se a (falta de) categoria dos homens da APAF. Não contabilizei todos os erros, indiscutivelmente para ambas as partes, mas curioso como, a determinada altura, todas as quedas eram amareladas. Critérios? Zero. E em várias situações, a falta existiu mesmo. O Fundão queixa-se de um possível duplo amarelo a Arnaldo que ficou no bolso, mas, de onde estava, não me apercebi de nada especialmente amarelável na falta assinalada. Em relação ao duplo amarelo a Esteves, do outro lado do campo de onde fiquei, também não posso adiantar grande coisa. Situação que acabou, definitivamente, com a enormidade de simulações da equipa da casa. Bom remédio! Esteves expulso, o Fundão ficou reduzido a 3 elementos de campo e o Benfica acaba por conseguir o merecido golo, num óptimo trabalho de 4x3, com Pedro Costa a finalizar de baixo para cima já dentro da área. Golaço do capitão, que fez saltar da cadeira alguns benfiquistas mais escondidos e envergonhados. Faltavam ainda 10 minutos de jogo e, então, o cariz da partida mudou completamente, como seria de esperar.

O Benfica recuou imenso, o Fundão pressionou enormidades, e aqui considero que André Lima se revelou peça-chave no triunfo: lançou o inesperado e fresco Anilton, uma óptima surpresa, e o jovem jogador do Benfica, em duas jogadas individuais espectaculares, ganha posição à linha da ala esquerda com fintas sucessivas e só com falta é travado. O Fundão já tinha 3 e ficou com 5, sendo obrigatório o recuo da linha de pressão. José Luís, com 5/6 minutos para jogar, apostou no 5x4 e André Lima voltou a responder muito bem. A aposta do treinador do Benfica foi um 5 com Rogério Vilela, Gonçalo Alves, Pedro Costa e Zé Maria, verdadeiros mestres da arte de bem defender. Quando estes não chegaram para as despesas, foi Bebé a impor-se de forma magistral. A bem da verdade, o poste também ajudou um bocadinho. Vitória sofrida, muito suada, num campo bastante complicado que teve casa cheia, inclusivamente com uma imponente claque albicastrense. E é sempre um gosto ver como a equipa vem agradecer o apoio no final, numa verdadeira ode ao benfiquismo.

Ficha do Jogo:

21ª Jornada do Campeonato FutSagres 2008/09

Pavilhão Municipal do Fundão, no Fundão

Árbitros: Pedro Peixoto (AF Setúbal) e Fernando Serras (AF Portalegre)

AD FUNDÃO: João Pedro; Esteves, Couto, Bruno Cézar e Vinícius.
Jogaram ainda: Bruno Pereira, Renatinho e Carrapito.
Treinador: José Luís.

SL BENFICA: Bebé; Pedro Costa, Rogério Vilela, Zé Maria e Arnaldo Pereira.
Jogaram ainda: Gonçalo Alves, Anilton, Pedrinho, João Marçal e David.
Treinador: André Lima.

Disciplina: Amarelos a Couto, Bruno Pereira e Esteves. Arnaldo, Gonçalo Alves, João Marçal e Pedrinho. Vermelho, por acumulação de amarelos, a Esteves.

Golos: 1-0, Rogério Vilela (4 m); 1-1, Bruno Pereira (12 m); 1-2, Pedro Costa (30 m).

#Fotos:
SerBenfiquista

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