Quarta-feira, Maio 03, 2006

Dream Team parte V - António Veloso

A referência a António Veloso não pode faltar na escolha para um Dream Team dos últimos anos. Foi o primeiro jogador “à Benfica” que me lembro de ver e admirar. Uma verdadeira referência para os mais novos e um esteio de raça, luta e fulgor competitivo que hoje escasseia.

Veloso nasceu numa família humilde tendo começado a dar os primeiros passos no futebol como jogador da Sanjoanense. Cedo despertou a cobiça dos clubes primodivisionários, mas foi o Beira-Mar que o foi buscar, aos 21 anos, a São João da Madeira. As duas excelentes épocas em Aveiro colocaram o regular defesa na “agenda” dos 3 grandes clubes portugueses.

Mas Veloso queria o Benfica. Lajos Baroti deu o aval e António estreou-se de “águia ao peito” em 1980 num jogo com o Boavista, no Bessa. O Benfica venceu por 1-0 com o “míudo” a entrar no segundo tempo para fazer uma grande exibição ao lado de estrelas como Humberto Coelho, Bento, Carlos Manuel, Chalana entre outros.
Na primeira época Veloso foi presença regular na equipa – apesar de não ser titular indiscutível – e venceu tudo o que havia para vencer a nível doméstico.

A partir desse ano o grande capitão nunca mais perdeu a titularidade até ao fim da carreira, jogou quase sempre como o defesa-direito da equipa mas também encontrou lugar no lado esquerdo, no meio campo e até a central – uma polivalência até então muito pouco comum. Não era um exímio de técnica mas fazia valer o seu brilhante sentido posicional. Foram 15 anos na Luz, 7 dos quais como capitão de equipa – o 2º jogador da história do clube, depois de Coluna, a envergar por maior número de vezes a braçadeira.


Pela “camisola das quinas” jogou 40 vezes – algumas como capitão – tendo estado presente no Euro 84. Em 1986 acusou doping e antes que saíssem os resultados da contra-análise foi excluído da equipa que foi a Saltillo. A inocência não lhe foi concedida a tempo e foi Bandeirinha do FC Porto a ocupar o seu lugar. Uma tremenda injustiça mas é nestes momentos que se vê o carácter dos homens.

Aquele maldito penalty falhado em 1988 na Final da Taça dos Campeões frente ao PSV poder-lhe-ia ter custado caro aos olhos do povo da Luz. Outro triste momento de Veloso sucedeu quando viu um cartão amarelo que o impossibilitou de jogar a Final de 1990. Mas Veloso era mais que um momento, a longa dedicação e amor ao clube são provas mais que cabais que mostram o merecimento de ficar no rol dos notáveis.

O “eterno” #2 acabou a carreira aos 38 anos mas ainda hoje está no coração dos benfiquistas, é das personalidades mais vezes presentes na Luz e um exemplo de fair-play e de benfiquismo. Tem aquela mística tão peculiar aos grandes nomes que serviram este clube.


Ficha do jogador:

1980/81 – 36 jogos

1981/82 – 37 jogos – 2 golos

1982/83 – 28 jogos – 3 golos

1983/84 – 17 jogos – 1 golo

1984/85 – 11 jogos – 1 golo

1985/86 – 43 jogos

1986/87 – 43 jogos

1987/88 – 34 jogos

1988/89 – 46 jogos – 2 golos

1989/90 – 42 jogos

1990/91 – 41 jogos

1991/92 – 48 jogos

1992/93 – 45 jogos

1993/94 – 30 jogos

1994/95 – 37 jogos

Total: 15 épocas – 538 jogos – 9 golos

Títulos: 7 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal e 2 SuperTaças

Os dados apresentados dizem respeito a todas as competições – Campeonato, Taça de Portugal, Competições Europeias e SuperTaça Cândido de Oliveira.

Fotos: Agradecimento ao Rex

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