Dream Team parte V - António Veloso
A referência a António Veloso não pode faltar na escolha para um Dream Team dos últimos anos. Foi o primeiro jogador “à Benfica” que me lembro de ver e admirar. Uma verdadeira referência para os mais novos e um esteio de raça, luta e fulgor competitivo que hoje escasseia.
Veloso nasceu numa família humilde tendo começado a dar os primeiros passos no futebol como jogador da Sanjoanense. Cedo despertou a cobiça dos clubes primodivisionários, mas foi o Beira-Mar que o foi buscar, aos 21 anos, a São João da Madeira. As duas excelentes épocas em Aveiro colocaram o regular defesa na “agenda” dos 3 grandes clubes portugueses.
Mas Veloso queria o Benfica. Lajos Baroti deu o aval e António estreou-se de “águia ao peito” em 1980 num jogo com o Boavista, no Bessa. O Benfica venceu por 1-0 com o “míudo” a entrar no segundo tempo para fazer uma grande exibição ao lado de estrelas como Humberto Coelho, Bento, Carlos Manuel, Chalana entre outros.
Na primeira época Veloso foi presença regular na equipa – apesar de não ser titular indiscutível – e venceu tudo o que havia para vencer a nível doméstico.
A partir desse ano o grande capitão nunca mais perdeu a titularidade até ao fim da carreira, jogou quase sempre como o defesa-direito da equipa mas também encontrou lugar no lado esquerdo, no meio campo e até a central – uma polivalência até então muito pouco comum. Não era um exímio de técnica mas fazia valer o seu brilhante sentido posicional. Foram 15 anos na Luz, 7 dos quais como capitão de equipa – o 2º jogador da história do clube, depois de Coluna, a envergar por maior número de vezes a braçadeira.

Pela “camisola das quinas” jogou 40 vezes – algumas como capitão – tendo estado presente no Euro 84. Em 1986 acusou doping e antes que saíssem os resultados da contra-análise foi excluído da equipa que foi a Saltillo. A inocência não lhe foi concedida a tempo e foi Bandeirinha do FC Porto a ocupar o seu lugar. Uma tremenda injustiça mas é nestes momentos que se vê o carácter dos homens.
Aquele maldito penalty falhado em 1988 na Final da Taça dos Campeões frente ao PSV poder-lhe-ia ter custado caro aos olhos do povo da Luz. Outro triste momento de Veloso sucedeu quando viu um cartão amarelo que o impossibilitou de jogar a Final de 1990. Mas Veloso era mais que um momento, a longa dedicação e amor ao clube são provas mais que cabais que mostram o merecimento de ficar no rol dos notáveis.
O “eterno” #2 acabou a carreira aos 38 anos mas ainda hoje está no coração dos benfiquistas, é das personalidades mais vezes presentes na Luz e um exemplo de fair-play e de benfiquismo. Tem aquela mística tão peculiar aos grandes nomes que serviram este clube.
Ficha do jogador:
1980/81 – 36 jogos
1981/82 – 37 jogos – 2 golos
1982/83 – 28 jogos – 3 golos
1983/84 – 17 jogos – 1 golo
1984/85 – 11 jogos – 1 golo
1985/86 – 43 jogos
1986/87 – 43 jogos
1987/88 – 34 jogos
1988/89 – 46 jogos – 2 golos
1989/90 – 42 jogos
1990/91 – 41 jogos
1991/92 – 48 jogos
1992/93 – 45 jogos
1993/94 – 30 jogos
1994/95 – 37 jogos
Total: 15 épocas – 538 jogos – 9 golos
Títulos: 7 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal e 2 SuperTaças
Os dados apresentados dizem respeito a todas as competições – Campeonato, Taça de Portugal, Competições Europeias e SuperTaça Cândido de Oliveira.
Fotos: Agradecimento ao Rex
#adicionado a Dream Team



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